# Comunicado COPOM / FED 04/11

Análise · 2026-11-04 · MZR Family Office · https://mzrfo.com.br/publicacoes/comunicado-copom-fed-04-11

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## Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% a.a., interrompendo o ciclo de afrouxamento monetário após cinco cortes consecutivos de 25 bps. A decisão foi novamente unânime.

O comunicado trouxe mudanças significativas na redação. O cenário externo deixou de ser descrito como “incerto” e passou a ser avaliado como “mais adverso”, em função do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o petróleo e seus derivados, e de uma política monetária mais restritiva nas economias avançadas. No cenário doméstico, o Comitê passou a ver uma moderação “mais acentuada” da atividade, ante “gradual” no comunicado anterior, e descreveu o mercado de trabalho como resiliente, porém com sinais de desaquecimento na margem. O balanço de riscos seguiu praticamente intacto, com a assimetria altista mantida.

O cenário inflacionário piorou. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes, que haviam desacelerado em setembro, voltaram a acelerar e passaram a se situar acima do limite superior do intervalo de tolerância. As expectativas da pesquisa Focus se distanciaram adicionalmente da meta, e a projeção do Copom para o horizonte relevante, que avançou para o segundo trimestre de 2028, subiu para 3,5% no cenário de referência, ante 3,2% na reunião anterior. Por fim, o Comitê retirou o parágrafo que afirmava que a magnitude total do ciclo de calibração seria definida à luz de novas informações e passou a caracterizar o contexto atual como de Selic “substancialmente contracionista”. Seguiu destacando serenidade e cautela, com o objetivo de manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

### Visão MZR

O Copom reconheceu em seu comunicado um ambiente externo mais adverso e, ao mesmo tempo, uma economia doméstica com sinais de desaceleração mais intensa. Ainda assim, a deterioração do cenário inflacionário, tanto nas expectativas de mercado quanto na projeção do próprio Copom, levou o Comitê a interromper o ciclo de cortes e a reforçar a cautela. Daqui para frente, a principal incerteza do mercado é a duração da pausa, dado o nível de incerteza apontado pelo Comitê. Outro ponto de atenção são as indicações para a diretoria do Banco Central. Duas cadeiras seguem vagas, e o presidente reeleito poderá fazer novas indicações, o que pode influenciar a relação entre o governo e a autoridade monetária.

## EUA

O _Federal Open Market Committee_ (FOMC) manteve a taxa de juros inalterada no intervalo de 3,75% a 4,00%, após ter elevado os juros na reunião anterior. A decisão teve placar de dez votos favoráveis e duas dissidências, ambas favoráveis a uma alta de 25 bps: Beth Hammack (Cleveland) e Lisa Cook (Board). Hammack já havia dissentido na reunião de julho, enquanto o voto de Cook foi mais inesperado.

O comunicado seguiu enxuto, mas com alterações relevantes. A atividade econômica passou a ser descrita como “forte”, ante “sólida”, e a inflação seguiu “elevada”. A mudança de maior peso foi a reescrita do trecho prospectivo: saiu a referência à ação de política (“a ação de hoje apoiará um retorno mais tempestivo da inflação à meta”) e entrou uma frase ancorada no acúmulo de dados, segundo a qual “o acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a postura apropriada de política para assegurar um retorno tempestivo da inflação à meta de 2%”.

As grandes interpretações surgiram na coletiva do presidente do Fed. Warsh renovou a ênfase no compromisso de entregar estabilidade de preços e repetiu o diagnóstico de que a inflação segue elevada, ao mesmo tempo em que demonstrou pouca preocupação com a atividade econômica, que, em sua visão e na da maioria dos colegas, não está “rodando quente demais”. Descreveu as condições financeiras como mais apertadas, mas sem chamá-las de apertadas (_“tighter, but I’m unwilling and unable to call them tight”_), afirmando que a política monetária “já está tendo efeito” e que os juros estão atingindo as frestas da economia.

### Visão MZR

Em nossa visão, o FED segue aguardando mais dados para decidir sobre a continuidade do ciclo de aperto monetário. A decisão de elevar os juros fica para a reunião de dezembro, e o movimento para 2027 permanece em aberto. Ainda assim, observamos pressões _hawkish_ dentro do Comitê, com dois membros dissidentes já nesta reunião. A próxima reunião ocorrerá após as eleições de meio de mandato (_midterms_), cujo resultado e a evolução dos conflitos no exterior podem alterar o cenário prospectivo do Fed.

Por fim, Warsh anunciou nesta reunião a segunda mudança de formato da sua gestão. A primeira havia sido o comunicado, encurtado e sem _forward guidance_ desde junho. Agora, o Comitê seguirá com oito reuniões por ano, mas uma reunião em 2027 e duas em 2028 serão dedicadas à discussão de estratégia de política monetária, sem comunicado nem votação sobre o intervalo da taxa de juros.
